Sob escandalosa e gélida neve
Fui engolido por meu dramalhão.
- Carpe diem! - berra teu peito são
Ao meu que, já putrido, não se atreve.
Obscura lápide idealizo,
Espero eu que seja ela prematura?
Com zelo, as paredes da sepultura
suspendo. Retumba esse surdo guizo!
Na tumba, de peito ao cosmo latente,
Não paro e então jazo como serpente,
debruçado. Que mórbido capricho!
De minha sorte é o azar que desejo
Como primordial membro do festejo,
Cabe aos vermes solverem esse bicho!
2000/2001
25 outubro 2010
25 fevereiro 2010
O chamado da mala
Depois da viagem de carnaval, uma imagem me vem sempre à cabeça. O lampejo embora com um quê de maldade, não deixa de ser bem apropriado. Especialmente aos que gostam mesmo é de viajar, com algum trocado no bolso e muita disposição.
Pegando as malas, ao fim do vôo já em Campinas vi-me rodeado de gente em busca de sua trouxa. Das mais diversas; coloridas, com fitinha, com laço, com etiqueta, de couro, de promoção, de improviso, do Robocop, do Falcão, malões, maletas, malas sem alça, malas de carrinho ou de pendurar, com cadeado, com lacre, com câmera, velhas, surradas, herdadas. Enfim, entes da família, filhas mesmo, daí o paralelo infantil.
As pessoas vinham chegando e se aproximavam da esteira de bagagens, preenchendo os vazios e buscando uma vaga para a tão importante empreitada. A parte boa da viagem é essa, quando você recupera a sua maleta, cheia de apetrechos e badulaques trazidos daquele distante lugar recém visitado. Qualquer descuido e algum marginal ou velhinho confuso toma a sua mala e um abraço. Toda sua viagem estará perdida. Os olhares percorrem toda a extensão do equipamento, às vezes parando em algum ponto, na dúvida. “Será essa?” Eis que ela vem chegando, chegando, sorrindo, gritando mamãe e ... um velinho de óculos fundo de garrafa a tasca. Inspeciono, mas me convenço. É dele.
Às vezes demora. Fico lá, plantado por longos minutos. Um magrelinho aperta-se ao lado e, concentrado, tenta retirar um guarda roupa que vinha dançando pela esteira. As perninhas tremem, titubeiam, e quase são arrastadas pelas beiradas enquanto sou pisoteado e empurrado. “Opa, eu te ajudo” - digo com alguns hematomas. Dá pra ver uns e outros apontando lá do outro lado do percurso com aquele sorriso interno.
Ocorre que na creche a coisa não difere muito disso não. A tropa de pais em frente ao portão, esperando sua maleta. Maleta essa que, ao contrário do anterior, atrapalha e inviabiliza viagens. Umas com fitinha, laço, etiqueta, de improviso, com câmera, herdadas e até as sem alça. Mesmo por essas, salvo raras exceções, sempre há alguém esperando. Alguém que acompanha as curvas da esteira e quando, tendo dado a volta toda, dá com a portinha de saída com aquela lona preta que não nos permite ver o lado de lá, recomeça a busca, como que ouvindo um chamado distante.
15 fevereiro 2010
A Capital no carnaval
Galera, estamos na capital da republica e o teclado esta desconfigurado. Cidade sensacional, avenidas em geral largas, com destaque para o eixo monumental e asas norte e sul. Clima quente e seco, por volta dos 30 graus. Salve os candangos, que levantar uma cidade no meio do cerrado, do zero por causa de um desvario do dom bosco, com esse sol no lombo e uma secura danada deve ter sido osso.
No mais, clima de abandono e muito "Fora Arruda" pelos muros.
No mais, clima de abandono e muito "Fora Arruda" pelos muros.
10 fevereiro 2010
canção do exílio
Com meus sérios problemas de memória encontrei um jeito fácil de guardar os livros que pretendo ler no futuro. skoob.com.br. Ao que notei, o google já criou um similar e, embora não tenha idéia de qual deles apareceu primeiro quero crer que foi o skoob, mas suspeito que um dia caia no similar ou original do google. O google, como se sabe, dominará o mundo. Acabo de aderir ao Buzz e já twittei mucho mas que no original -Twitter. Twitter, como se sabe, significa pio. Pio mesmo, de passarinho que, para o românticos, com saudades da pátria pode ser gorjeio também, afinal as aves daqui don't twit como as de lá.
18 janeiro 2010
De que gente somos nós
Enquanto Ronaldinho Gaúcho chama novamente a atenção em véspera de copa, vou acompanhando as ilusões perdidas de dois jovens franceses do século XIX segundo Balzac, autor romântico de mais de duzentos anos atrás. Isso nas horas perdidas das férias universitárias.
Até pelo fato de não ter lido algo tão extenso desde que nasci, vou descobrindo uma bela obra. Um pouco antes de dormir grudo na bíbria e passo umas 15, 20 páginas com algum esforço.
Lucien Chardon de Rubempré e David Séchard são agora personagens perdidos no tempo, na burguesia do século XIX. Famoso por retratar de forma detalhada e fiel a sociedade da época, Balzac vai ensinando-me história e vejo a sociedade que antes desprezava o trabalho e a fortuna feita através dele para exaltar os traços nobres e sobrenomes tradicionais agora parecendo importar-se quase que de todo com o trampo. Parece-me também que as grandes cidades, onde embora estejam abrigadas famílias e brasões importantes, cedem hoje à fortuna maior status que à origem, enquanto nas cidades interioranas penso ouvir com maior frequência: "De que gente você é mesmo?"
Até pelo fato de não ter lido algo tão extenso desde que nasci, vou descobrindo uma bela obra. Um pouco antes de dormir grudo na bíbria e passo umas 15, 20 páginas com algum esforço.
Lucien Chardon de Rubempré e David Séchard são agora personagens perdidos no tempo, na burguesia do século XIX. Famoso por retratar de forma detalhada e fiel a sociedade da época, Balzac vai ensinando-me história e vejo a sociedade que antes desprezava o trabalho e a fortuna feita através dele para exaltar os traços nobres e sobrenomes tradicionais agora parecendo importar-se quase que de todo com o trampo. Parece-me também que as grandes cidades, onde embora estejam abrigadas famílias e brasões importantes, cedem hoje à fortuna maior status que à origem, enquanto nas cidades interioranas penso ouvir com maior frequência: "De que gente você é mesmo?"
17 janeiro 2010
supermercado
Aqui na rua debaixo de casa há um supermercado daqueles meio de bairro.
O que teria havido ali no terreno há mil anos? Mato, macaco, silêncio? Séculos e séculos de zero acontecimentos. Talvez interrompidos por caças agonizando e caçadores matando a fome.
Agora aqui tão perto... um supermercado. Lugar estranho, antes com árvore, inseto e hostilidade que então abriga vidros de palmito e pão fresco. E eu perto disso tudo e botando as impressões na net.
Pão quente, com aquele quente de itatibense.
O que teria havido ali no terreno há mil anos? Mato, macaco, silêncio? Séculos e séculos de zero acontecimentos. Talvez interrompidos por caças agonizando e caçadores matando a fome.
Agora aqui tão perto... um supermercado. Lugar estranho, antes com árvore, inseto e hostilidade que então abriga vidros de palmito e pão fresco. E eu perto disso tudo e botando as impressões na net.
Pão quente, com aquele quente de itatibense.
15 janeiro 2010
Hai kai Haiti
Aí cai o Haiti.
Gente e concreto no chão.
Haiti, ai de ti!
Poesia fraca pra uma grande tragédia...
Gente e concreto no chão.
Haiti, ai de ti!
Poesia fraca pra uma grande tragédia...
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